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Mentalidade Agile em Compras

O setor de suprimentos tradicional sempre foi visto como um centro de custo burocrático, onde processos lineares e aprovações em cascata ditam o ritmo. No entanto, o mercado atual não tolera mais a espera de 60 ou 90 dias para a conclusão de um processo de sourcing. Se você quer transformar sua área de compras em uma vantagem competitiva estratégica, precisa entender que a agilidade não é apenas “fazer mais rápido”, mas sim “fazer de forma mais inteligente e iterativa”.

O que é a mentalidade agile aplicada a suprimentos

Primeiramente, é fundamental desmistificar que o Agile pertence apenas ao desenvolvimento de software. No contexto de compras, essa mentalidade foca na entrega de valor contínuo, colaboração estreita com stakeholders e flexibilidade diante de mudanças. Em vez de focar exclusivamente em grandes contratos anuais rígidos, o comprador ágil trabalha com ciclos curtos de feedback e experimentação.


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Por que o modelo tradicional de compras está falhando

Além disso, o modelo convencional de “Waterfall” (cascata) cria silos de comunicação que atrasam a tomada de decisão. Muitas vezes, quando o contrato é finalmente assinado após meses de negociação, as necessidades do requisitante já mudaram ou o mercado flutuou drasticamente. Essa rigidez gera o que chamamos de “custo de oportunidade”, que frequentemente supera qualquer economia de centavos obtida na negociação bruta.

Os pilares do agile procurement para líderes

Consequentemente, para implementar essa mudança, diretores e gerentes devem focar em três pilares: transparência, autonomia e cross-funcionalidade. Times ágeis de compras não esperam por e-mails; eles operam em rituais curtos, como daily scrums, para identificar gargalos imediatamente. A autonomia permite que o comprador tome decisões rápidas dentro de parâmetros pré-estabelecidos, eliminando a necessidade de assinaturas redundantes para cada etapa do processo.


Reduzindo o ciclo de compras de meses para dias

Posteriormente à compreensão teórica, surge a dúvida prática: como reduzir drasticamente o Lead Time? A resposta reside na simplificação do RFX (RFI, RFP, RFQ). Em um ambiente ágil, trocamos documentos de cem páginas por workshops de cocriação com fornecedores. Em vez de enviar uma proposta e esperar semanas pela resposta, você reúne os principais players em um único dia para alinhar expectativas e ajustar escopos em tempo real.

O papel das equipes multidisciplinares (squads)

Ademais, a formação de “Squads de Sourcing” é um divisor de águas. Imagine ter um representante do Jurídico, um do Compliance e o Requisitante técnico trabalhando juntos no mesmo “tabuleiro” que o comprador. Ao eliminar o “vai e vem” de documentos entre departamentos, o tempo de aprovação de cláusulas contratuais, que antes levava semanas, pode ser reduzido a horas de discussão direta e resolução de conflitos.

Adoção de tecnologia e automação de baixo código

Simultaneamente, não podemos ignorar o poder das ferramentas digitais. Plataformas de e-Sourcing que permitem colaboração em tempo real e análise de dados automatizada eliminam o trabalho braçal de tabular planilhas de fornecedores. A inteligência artificial agora pode pré-qualificar fornecedores com base em riscos e performance histórica, permitindo que o especialista em compras foque apenas na estratégia e no relacionamento.

Gestão de riscos em um ambiente veloz

Embora a velocidade seja o objetivo, a segurança não deve ser sacrificada. A mentalidade ágil utiliza o conceito de “falhe rápido, mas aprenda mais rápido ainda”. Em vez de apostar tudo em um único fornecedor gigante para um projeto de dois anos, o agile procurement incentiva contratos modulares e pilotos de curto prazo. Isso permite testar a capacidade do fornecedor antes de escalar o investimento, mitigando riscos de forma prática e baseada em evidências.

Como lidar com a resistência cultural interna

Incontestavelmente, o maior desafio não é a ferramenta, mas as pessoas. Profissionais de compras acostumados com o controle absoluto podem se sentir ameaçados pela transparência do Agile. É necessário um trabalho de gestão de mudança que mostre ao comprador que seu valor não está em preencher formulários, mas em ser um consultor de negócios que viabiliza a inovação da empresa através da base de fornecedores.

Medindo o sucesso: kpis de agilidade

Certamente, você não pode gerenciar o que não mede. Os KPIs tradicionais como Saving e Avoidance continuam importantes, mas devem ser acompanhados pelo Cycle Time (tempo de ciclo) e pelo Internal NPS (satisfação do cliente interno). Se o seu time reduziu o tempo de entrega, mas a qualidade ou o relacionamento com o fornecedor caiu, o processo não foi verdadeiramente ágil, apenas apressado.

O conceito de sourcing contínuo

De maneira análoga, o sourcing deixa de ser um evento esporádico para se tornar um processo contínuo. Em vez de abrir uma concorrência do zero a cada necessidade, a empresa mantém um ecossistema de fornecedores pré-aprovados e engajados em comunidades de inovação. Isso permite que, quando uma demanda surge, a execução seja quase instantânea, pois a base de confiança e os termos comerciais básicos já foram validados previamente.

Colaboração radical com fornecedores

Sob o mesmo ponto de vista, o fornecedor deve ser tratado como um parceiro de design e não apenas um executor de pedidos. No Agile, compartilhamos os desafios de negócio com o mercado e perguntamos: “Como vocês podem nos ajudar a resolver isso?”. Muitas vezes, o fornecedor traz uma solução pronta que o time de compras sequer havia cogitado, acelerando o tempo de chegada ao mercado (time-to-market).

Simplificação extrema de processos jurídicos

Dando continuidade, o setor jurídico costuma ser o maior gargalo em compras. A solução ágil envolve o uso de contratos-quadro (MSA) com cláusulas padronizadas e termos de trabalho (SOW) simplificados para cada projeto. Ao focar apenas no que é variável e de alto risco, deixamos de rediscutir o óbvio em cada transação, liberando o fluxo de contratação para fluir em dias.

Educação e treinamento constante do time

Por outro lado, investir em certificações e workshops de metodologias como Scrum, Kanban e Lean é essencial. O analista de suprimentos do futuro precisa ser um facilitador de conversas. Ele deve saber gerenciar um backlog de demandas e priorizar o que realmente traz impacto para o resultado da companhia, dizendo “não” para processos de baixo valor que consomem tempo precioso.

O impacto no fluxo de caixa e competitividade

Finalmente, a agilidade em compras impacta diretamente o EBITDA. Compras mais rápidas significam produção iniciada mais cedo, estoques mais enxutos e uma resposta mais ágil às demandas do consumidor final. Em setores de alta volatilidade, como tecnologia e moda, ser ágil em suprimentos é a diferença entre liderar o mercado ou ficar com estoque obsoleto parado.

Tendências futuras para o agile procurement

Olhando para frente, a tendência é que o processo de compra se torne invisível para as categorias de baixo valor, totalmente automatizado por bots, enquanto os humanos se dedicam a projetos complexos de alta agilidade. A integração total via APIs entre sistemas de compradores e vendedores permitirá que a ordem de compra seja um evento disparado por dados, sem intervenção manual, fechando o ciclo em minutos.


Conclusão

Em suma, a transição para uma mentalidade Agile em compras não é um luxo, mas uma necessidade de sobrevivência organizacional. Ao quebrar os silos, empoderar as equipes e focar na entrega de valor rápida, o departamento de compras deixa de ser um “freio” para se tornar o “motor” da inovação. Comece pequeno, escolha um projeto piloto, aplique os conceitos de ciclos curtos e veja como a percepção de valor da sua área mudará radicalmente perante toda a diretoria.


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