IVA e TCO: O guia da reforma tributária
Primeiramente, você precisa aceitar uma realidade desconfortável: tudo o que você aprendeu sobre custos em compras nos últimos 20 anos acaba de se tornar obsoleto. Estamos em 2026 e a fase de transição da Reforma Tributária não é mais uma promessa de PowerPoint, mas um fato que está batendo na porta do seu ERP com as alíquotas de teste de 0,1% para o IBS e 0,9% para a CBS. Se você é um Diretor de Suprimentos ou um Gerente de Compras e ainda está olhando apenas para o preço de face do fornecedor, você está deixando dinheiro na mesa — e muito.
Atualmente, o cálculo do Total Cost of Ownership (TCO) no Brasil era um pesadelo de variáveis escondidas, onde o ICMS por dentro e o IPI por fora criavam uma cortina de fumaça sobre o custo real. De fato, a complexidade era tamanha que muitas empresas preferiam manter uma margem de segurança de 15% a 20% em seus orçamentos apenas para cobrir “surpresas” fiscais e glosas de créditos. Com a chegada do IVA Dual (IBS + CBS), as regras do jogo mudaram drasticamente e o seu sucesso agora depende de como você recalcula essa equação.
Nesse cenário de transição, o conceito de crédito tributário passa a ser o motor principal da sua lucratividade operacional. Consequentemente, o impacto no TCO não será linear; alguns fornecedores ficarão subitamente mais caros, enquanto outros, antes ignorados por questões geográficas, tornar-se-ão extremamente competitivos. Quero que você entenda que a Reforma Tributária não é apenas sobre impostos, é sobre estratégia de sourcing.
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O que é o iva dual e como ele simplifica seu cálculo
Além disso, para dominar o novo TCO, você deve entender que o PIS, Cofins e IPI (federal), junto com ICMS (estadual) e ISS (municipal), estão sendo fundidos em apenas dois tributos. Sob essa ótica, a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) formam o chamado IVA Dual. Surpreendentemente, a maior vantagem para compras não é a redução da alíquota — que pode chegar a 28% — mas sim a não cumulatividade plena.
Basicamente, isso significa que “crédito é dinheiro no bolso”. No modelo antigo, você perdia créditos em diversos insumos de uso e consumo ou serviços que não estavam “diretamente ligados à produção”. Por outro lado, o novo sistema permite que quase tudo o que sua empresa compra gere crédito imediato. Inclusive, se o seu fornecedor pagar o imposto via split payment (pagamento segregado no ato da transação), o crédito entra no seu caixa quase em tempo real, eliminando o custo financeiro da espera.
Como o fim do cálculo por dentro altera o tco
Adicionalmente, um dos maiores “vilões” do TCO brasileiro está com os dias contados: o imposto calculado sobre si mesmo. Analogamente a retirar um peso invisível da balança, o IVA brasileiro será calculado “por fora”, de forma transparente. Desse modo, quando um fornecedor lhe der uma cotação de R$ 1.000,00, você saberá exatamente quanto é produto e quanto é imposto, sem as fórmulas matemáticas complexas que hoje distorcem o custo real de aquisição.
Claramente, essa transparência vai forçar uma renegociação em massa. Naturalmente, muitos fornecedores tentarão manter o preço final antigo, absorvendo a diferença da simplificação como margem de lucro própria. Infelizmente, se o seu time de compras não estiver preparado com planilhas de simulação, sua empresa não capturará o ganho de eficiência que a reforma deveria proporcionar. Felizmente, este é o momento perfeito para os diretores de suprimentos mostrarem seu valor estratégico ao CEO e ao CFO.
A morte da guerra fiscal e o novo mapa logístico
Igualmente importante é notar que a Reforma Tributária mata a “guerra fiscal” entre os estados. Diferentemente do que acontecia até 2025, onde você muitas vezes comprava de um fornecedor mais distante apenas para aproveitar um benefício de ICMS, o novo sistema tributa no destino. Especialmente para a gestão de supply chain, isso muda o centro de gravidade das operações logísticas.
Decerto, a localização da fábrica ou do centro de distribuição do seu fornecedor passará a ser uma decisão puramente logística e de nível de serviço, não mais tributária. Inegavelmente, isso simplifica o TCO ao reduzir o frete e o tempo de lead time, já que você pode comprar do vizinho sem ser penalizado fiscalmente por isso. Francamente, é o fim da era em que caminhões cruzavam o país apenas para validar um carimbo fiscal em uma fronteira estadual.
O imposto seletivo: o novo risco no tco de insumos
Sinceramente, nem tudo são flores, e você precisa estar atento ao Imposto Seletivo (IS), popularmente chamado de “imposto do pecado”. Resumidamente, ele incidirá sobre produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas, mas também sobre veículos poluentes e minérios. Por exemplo, se a sua empresa utiliza determinados insumos químicos ou combustíveis que entrem na mira do IS, seu TCO pode disparar sem aviso prévio.
Isto é fundamental: o Imposto Seletivo não gera crédito para a etapa seguinte da cadeia. Ou seja, ele é um custo direto que “cola” no produto e aumenta o preço final de forma irreversível. Em resumo, o gestor de compras precisa mapear agora se algum de seus insumos críticos será taxado pelo IS para antecipar a busca por alternativas mais sustentáveis ou fornecedores que utilizem tecnologias de baixo carbono.
Gestão de fornecedores e o critério de compliance
Em última análise, a seleção de fornecedores passará por um novo filtro de risco: a saúde fiscal. Desta maneira, como o crédito do IVA depende do pagamento efetivo do tributo pelo fornecedor (o mencionado split payment), comprar de uma empresa informal ou com problemas com o fisco se tornará um risco financeiro direto ao seu TCO. A propósito, se o fornecedor não pagar o imposto, sua empresa não recebe o crédito, e seu custo de aquisição sobe instantaneamente cerca de 27%.
Vale lembrar que o compliance tributário do fornecedor agora é uma variável do custo do produto. É preciso notar que a diligência (due diligence) em compras deverá ser muito mais rigorosa, integrando dados fiscais em tempo real ao cadastro de fornecedores. Cumpre destacar que sistemas de inteligência artificial serão essenciais para monitorar a regularidade fiscal da base de suprimentos e evitar que um “barato” na cotação se torne um “caro” na apuração tributária.
A tecnologia como aliada na transição de 2026
Importa ressaltar que você não conseguirá gerenciar essa mudança no Excel. Nesse contexto, a atualização do seu ERP e a adoção de ferramentas de TaxTech são investimentos obrigatórios no seu orçamento de 2026. Diante disso, a capacidade de simular cenários de TCO antes e depois da reforma será o diferencial entre as empresas que crescerão e as que perderão margem.
Pelo contrário do que alguns pensam, a transição será longa e complexa, com dois sistemas rodando em paralelo até 2032. Ainda assim, o aprendizado precisa começar agora. Mesmo assim, muitas áreas de compras estão esperando o governo definir “a alíquota final” para agir. Posto isso, eu digo: não espere, pois o impacto na estrutura de custos já começou com a exigência de novas informações nas Notas Fiscais Eletrônicas desde o início deste ano.
Como recalcular o seu tco na prática
Afinal, como fica a fórmula do TCO agora? Aliás, podemos simplificar o pensamento para a seguinte estrutura:
Onde:
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$P_{f}$: Preço de face do fornecedor (agora mais transparente).
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$Cr$: Créditos de IBS/CBS (agora muito mais amplos e rápidos).
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$L$: Custos Logísticos (tendem a cair com a compra no destino).
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$C$: Compliance e Riscos (exige novos sistemas).
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$F$: Custo Financeiro (otimizado pelo split payment).
Já que o crédito ($Cr$) aumenta, o custo líquido tende a cair para quem sabe comprar. Visto que a logística ($L$) se torna neutra tributariamente, a eficiência operacional volta a ser o diferencial. Graças a essa nova estrutura, o comprador deixa de ser um “caçador de impostos” para ser um “gestor de eficiência”.
O papel do diretor de suprimentos como agente de mudança
Apesar de ser um desafio técnico, a Reforma Tributária é, acima de tudo, uma mudança de cultura. Embora o departamento fiscal seja o dono da regra, o departamento de compras é o dono do gasto. Enquanto o fiscal olha para o passado (apuração), o compras olha para o futuro (negociação). Logo, a integração entre essas áreas nunca foi tão vital para a sobrevivência da organização.
Assim, o seu papel como líder de suprimentos é traduzir esses termos técnicos em economia real. Então, comece auditando seus 20 maiores fornecedores hoje e peça que eles apresentem suas projeções de impacto com o novo IVA. Enfim, quem se antecipar na renegociação desses contratos terá uma vantagem competitiva que durará por toda a década.
Conclusão
Por fim, a Reforma Tributária na prática não é um monstro de sete cabeças, mas exige uma mudança radical na mentalidade de TCO. Realmente, o foco sai da complexidade burocrática e volta para a essência do negócio: eficiência, logística e parcerias sólidas. Seguramente, os gestores que dominarem a dinâmica de créditos do IBS e da CBS serão os profissionais mais valorizados do mercado.
Claramente, o momento de agir é agora, aproveitando a alíquota de teste de 2026 para recalibrar seus processos e sistemas. Obviamente, haverá percalços, mas a transparência trazida pelo novo modelo é uma oportunidade de ouro para limpar as ineficiências históricas da sua cadeia de suprimentos. Naturalmente, a jornada é longa, mas o destino é um ambiente de negócios muito mais saudável e competitivo para o Brasil.
Você está pronto para liderar essa mudança ou vai esperar o seu concorrente renegociar primeiro?
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